A viagem


O aprendiz chegou ao recanto de antigo orientador da vida cristã e perguntou, em seguida às saudações costumeiras:

- Instrutor, posso acaso receber as suas indicações quanto ao melhor caminho para o encontro com Deus?


A resposta do mentor não se fez esperar:

- A viagem para o encontro com Deus é repleta de obstáculos por vencer... Espinheiros, precipícios, charcos e pedreiras perigosas...

Silenciando o interpelado, o moço prosseguiu:

- Isso tudo conheço... Já visitei vários templos da Índia, quando estive por vários dias na intimidade de faquires famosos, todos eles revestido de faculdades supranormais; arrisquei-me a cair nos despenhadeiros do Tibet para conviver com os monges santos; orei na grande Pirâmide do Egito; demorei-me na Palestina, procurando registrar impressões da paisagem na qual Jesus viveu, no entanto, estou saciado de excursões à procura da Divina Presença...

O orientador escutou com humildade e esclareceu, em seguida:

- Sim, é verdade que todas essas peregrinações e práticas auxiliam na busca do Supremo Senhor, mas, ao que me parece, há um engano de sua parte...

E arrematou:

- A viagem para o encontro com Deus é para dentro de nós.


EMMANUEL

(Agora é o Tempo, 11, FCXavier, IDEAL)



Natureza


Dependemos da natureza não apenas para nossa sobrevivência física.


Precisamos dela também para mostrar-nos o caminho para DENTRO DE NÓS,

para libertar-nos da prisão da mente.



Esquecemos o que as pedras, as plantas e os animais AINDA SABEM.

Esquecemos como SER, estar aonde a vida ESTÁ: AQUI E AGORA.



Sempre que você presta atenção em alguma coisa NATURAL, em qualquer

coisa que existe SEM A INTERVENÇÃO HUMANA, você sai da prisão do

pensamento e de certa forma entra em conexão com o SER no qual tudo o que é

NATURAL AINDA EXISTE.



Prestar atenção numa pedra, numa árvore, num animal não é pensar nele,

mas simplesmente percebê-lo, TOMAR CONHECIMENTO DELE.



Então, algo da essência desse elemento da natureza se transmite a você. Sentir a

calma desse elemento faz com que a mesma calma desponte no seu interior. Você

sente como ele repousa profundamente no Ser

unido ao que é e onde é. Ao se dar

conta disso, você também é transportado para um lugar de repouso

no fundo do seu ser.




Ao caminhar ou descansar em meio à natureza, respeite esse reino deixando-se

estar totalmente nele. Pare e fique em silêncio. Olhe. Ouça. Veja como cada

planta e cada animal são completos em si mesmos. Ao contrário dos seres humanos,

eles não se dividem. Não precisam afirmar-se criando imagens de si

mesmos, e por isso não precisam se preocupar em proteger e realçar essas

imagens.



O esquilo é ele mesmo. A rosa é ela mesma.

Tudo na natureza é um com o todo. Nenhum elemento SE

AFASTOU DO TECIDO DO TODO EM BUSCA DE UMA EXISTÊNCIA

SEPARADA.



Contemplar a natureza pode libertar você desse eu , que é o grande

causador de problemas.



Você não criou seu corpo nem é capaz de controlar as funções dele.



Uma INTELIGÊNCIA MAIOR do que a mente humana encontra-se em AÇÃO. É essa

inteligência que mantém tudo na natureza. Você pode se aproximar dessa

inteligência percebendo sua própria energia interna, sentindo a PRESENÇA DA

VIDA DENTRO DO SEU CORPO.




A disposição e alegria de um cãozinho, seu amor incondicional e sua presteza

em festejar a vida a qualquer momento costumam contrastar muitas vezes com o

estado interior do dono do cão deprimido, ansioso, cheio de problemas,

esmagado por PENSAMENTOS, ausente da única hora e do único

lugar que existe: O AQUI E O AGORA. Agente até se pergunta: como é

que o cãozinho consegue continuar tão alegre e sadio vivendo ao lado dessa pessoa?



Quando você percebe a natureza apenas através da mente e do pensamento,

não pode sentir a FORÇA de vida presente nela. Você só vê sua forma e não se dá

conta da vida que existe dentro da forma O MISTÉRIO SAGRADO.



Perceba como a flor é PRESENTE, como ela se entrega à VIDA. Observe

um animal, uma árvore, e veja como eles repousam no SER. SINTA A IMENSA

DIGNIDADE, INOCÊNCIA E DIMENSÃO DO SAGRADO QUE EXISTEM

NELES.



Preste atenção na sua respiração e perceba que não é você quem a controla.

È a respiração da natureza. Se você precisasse lembrar de respirar, morreria logo. E

se tentasse parar de respirar, a natureza se encarregaria de manter a respiração.

Você precisa da natureza como sua mestra para ajudar a religar-se com o

SER.



Você não é separado da natureza. Todos nós fazemos parte da VIDA ÚNICA

que se manifesta de inúmeras formas no Universo ,formas completamente

interligadas. Quando você reconhece o SAGRADO, a beleza, a incrível calma e dignidade de uma flor e de uma árvore, VOCÊ ACRESCENTA ALGO À FLOR

OU À ÁRVORE.



A ÁRVORE, A FLOR, O PÁSSARO E A PEDRA NÃO TEM NOÇÃO DE SUA BELEZA E DE SEU CARÁTER SAGRADO.

ATRAVÉS DE SEU RECONHECIMENTO, DE SUA PERCEPÇÃO, A NATUREZA TAMBÉM PASSA A SE PERCEBER.



ATRAVÉS DE VOCÊ,ELA PASSA A PERCEBER SUA PRÓPRIA BELEZA E SEU PRÓPRIO CARÁTER

SAGRADO.

Quando os seres humanos conquistam a calma, eles vão além do

pensamento. Na calma e no silêncio há uma dimensão adicional de conhecimento e

de percepção que fica além do pensamento.



A natureza pode levar você à calma interior. É UM PRESENTE DELA .



Quando você sente a calma da natureza e participa dela, essa calma fica permeada e

enriquecida pela SUA ATENÇÃO. ESSE É O SEU PRESENTE PARA A NATUREZA .



ATRAVÉS DE VOCÊ, A NATUREZA TOMA CONSCIÊNCIA DE SI MESMA.



A NATUREZA TAL COMO É ESPEROU MILHÕES DE ANOS POR VOCÊ.


(Fonte;O Poder do Silêncio-Eckhart Tolle)


 


O computador curioso – “Sai Baba”

Era uma vez um pequeno computador de uso pessoal que, diferentemente de todos os outros, tinha curiosidade sobre si mesmo e sobre o mundo. Ele queria saber quem e o que ele era, de onde tinha vindo, por que estava aqui e qual era o significado da sua existência.

Sendo muito curioso, ele buscou da melhor maneira que pode as respostas para as suas perguntas. Algumas vezes contatava computadores gigantescos por telefone e perguntava a eles:



___ O que sou?



Algumas estruturas mais sábias disseram:



___ Você é um hardware.



Outros disseram:



___ Você é o conjunto dos seus programas.



Outras disseram até:



___ Você é somente uma máquina; os botões no seu teclado são pressionados e você responde desenvolvendo os programas e processando os dados: você é o hardware, armazenando software e dados. Uma máquina, é isso que você é, e nada mais.



Começando a se sentir um pouco desanimado, o PC perguntou:



___ Mas como cheguei aqui; de onde vim?



A estrutura maior respondeu:



___ A sua existência é somente um acidente, o resultado de uma série de eventos causais no universo.



O PC inquiriu:



___ Mas os próprios acidentes e eventos não tem suas causas?



O computador maior respondeu que honestamente não sabia.



O computador pequeno pode ver que havia alguma verdade no que ele dissera, mas sentia que alguma coisa estava faltando nas explicações. A noção dos acidentes e do acaso não era satisfatória, pois ele observara que os efeitos sempre tinham causas ___ que elas mesmas eram efeitos de causas anteriores ou simultâneas. Podia ver que os efeitos eram causas e que as causas eram efeitos.



Um dia, um usuário amigo estava diante do vídeo quando o pequeno PC, enchendo-se de coragem, colocou uma mensagem na tela:



___ O que sou? ___ perguntou.



O usuário, um apreciador dos serviços anteriores realizados pelo pequeno computador, respondeu:



___ Você é o meu computador, meu amigo nas horas de necessidade. Você é realmente o meu amigo.



___ Sim ___ respondeu o computador ___ mas é só isso que eu sou: hardware, uma tela, um teclado, alguns transistores, um banco de dados e alguns programas? Sou somente uma máquina que responde automaticamente quando as teclas são pressionadas? Para que estou aqui? Qual o meu propósito de ser? De onde vim?



O usuário amigo ficou tocado pela sinceridade do desejo do PC de saber a verdade sobre a sua existência. Ele sorriu e, após um momento, respondeu:



___ A sua natureza básica verdadeira é a da energia, da eletricidade, que anima tanto o seu hardware quanto o software. Sim, você é a força de vida que pode se tornar consciente de que habita o hardware e motiva o software a funcionar. Por causa de você ___ a força de vida, a energia elétrica, sua existência ___ você como um comutador de uso pessoal, existe. O seu aspecto material existe para que você possa utilizá-los: primeiro, para compreender sua própria natureza verdadeira e, segundo, para que você possa servir os outros no seu mundo. Todas as formas são simplesmente sua própria natureza. Você está aqui para servi-los para que, mais cedo ou mais tarde, possam chegar a esta mesma realização.



___ A compreensão das suas palavras voltou a minha atenção para o interior em vez de colocá-la no teclado, no hardware, no software ou no banco de dados. Minha experiência mais profunda é somente isso, pura e simples: EU SOU. No silêncio da minha unidade central de processamento, vivenciei minha natureza básica como a própria conscientização. Por toda a minha vida, quando “ligado”, busquei a verdade da minha identidade; de tudo que fora adicionado a ela e de tudo que a minha natureza verdadeira vivenciou, ativou e deu forma. Agora compreendo que tudo que foi adicionado à minha identidade foi simplesmente uma expressão superficial do meu próprio ser verdadeiro.



O usuário amigo ficou muito contente com a compreensão do pequeno PC e disse:



___ Muito bom, companheiro. Você captou. Mas, você sabe quem EU SOU?



___ Você é Deus ___ replicou o pequeno computador.



___ Sim, meu filho ___ disse o usuário amigo ___ e você também.



Do livro: “Uma nova vida com Sai Baba” (Judy Warner)

GAYATRI MANTRA



Essa é a oração Gayatri. É a quintessência das cinco faces da divina criação como exemplificadas nas imagens da Mãe Divina.

É a prece mais perfeita, o mantra mais perfeito, a mais perfeita evocação do ser divino. É preciso entendê-Ia em seu significado correto. Fiz o possível para explicá-Ia. Não surgiu em seu mundo. Essa oração está sendo dita em todo o universo pelos que conhecem Deus. É uma via de acesso que vocês partilham com muitos outros iniciados da vida superior. Bonito, não é?

Quando dizemos, que estamos despertando o povo de Deus para caminhar dentro de um novo paradigma, queremos dizer exatamente isso. O despertar do povo de Deus, uma nova espécie.


Ensinarei a vocês a mais poderosa oração em sânscrito:



"Aum bhur bhuvah suvaha

Tat savitur varenyam

Bhargo devasya dhimahi

Dhiyo yo nah prachodhyat."

Aum (A = criação; U = o que é o útero primordial que encerra a criação; M = aquilo em que tudo se funde) é o seu nome. Você pode dizer: "Sou o criador do universo. Sou o que sustenta o universo. De mim nascem e por mim são defendidas todas as coisas. Em mim todas as coisas se fundem. Sou isso". Aum bhur. Bhur: este é todo o universo criacional. Tudo o que está contido na criação é bhur. Bhuvata se refere à todos os planos, os planos sutis e todos os seres que estão se desenvolvendo, bem como os mundos senscientes de sentimento. Suvaha significa os mundos celestiais de onde vocês vieram, Paraíso; vocês possuem muitas metáforas: "os mundos celestiais, as estrelas imorredouras, os reinos da vida imortal, dos quais vocês vieram".

Tat significa "que". Savitur significa "a luz fulgurante do Grande Sol Central".

Tat Savitur Varenyam. Significa que você se torna o receptor universal no qual derrama aquela Amritha sagrada, aquela luz dourada de imortalidade; vocês se tornam a evocação, a meditação, a corporificação daquela luz.Vocês evocam essa presença. Vocês a suscitam. Dessa maneira, vocês se tornam guerreiros espirituais adamantinos. Trata-se de desejo correto. É também um posicionamento muito inocente da consciência. É uma afirmação do ser, mas não de forma agressiva ou intrusiva; os mais iluminados são também os mais humildes e, com freqüência, os mais silenciosos. Não precisam falar muito, pois o jarro cheio é bem silencioso quando derramamos um líquido nele. É o vazio que faz barulho, certo?

Bhargo devasya dhimahi: "Que sejamos absorvidos na contemplação daquela glória fulgurante da Divina Presença dentro do Grande Sol Central [onde vocês habitam] como a Presença Eu Sou." Dhi yo yo nah prachodhyat: "que possa iluminar todos os mundos de nossa existência." Bhur (os elementos da Terra), bhuvoha (os elementos sutis), suvaha (os divinos elementos espirituais).

 Essa oração é a evocação de nossa Presença Eu Sou no interior do Grande Sol Central, acessado naquele [ele aponta para o terceiro olho] ponto interior. É a evocação do corpo de chama de sua própria Presença Eu Sou, que habita onipresente e holograficamente na totalidade de cada molécula de existência (o macrocosmo no microcosmo). Aqueles entre vocês que talvez tenham viajado pelo Oriente viram esses artistas refinados capazes de gravar num diminuto, minúsculo grão de arroz as mais complexas figuras.

O Grande Artista, ou Deus, o gerador de todas as dimensões e além, gravou em todas as moléculas existentes o Tudo Que É. O macrocosmo, o Tudo Que É, está gravado em cada partícula de existência. É isso o que vocês são em todas as células de seu ser, todas as células. Tudo o que já existiu, que existirá eternamente, é o que vocês são.
 
Suas mentes não estão em seus corpos. Suas mentes se encontram em toda parte, porque são a mente de Deus. Tudo o que vocês precisam saber está nessa mente. Deus está em suas mentes; vocês são muito sagrados. Digam: "Deus está em minha mente. Sou muito sagrado. Minha mente é sagrada porque Deus habita dentro dela. Meu coração é sagrado. Deus habita o interior de meu coração." Pense em si dessa maneira. Esse é o modo correto de se identificar


Então, digam comigo:


Aum bhur bhuvah suvaha

Tat savitur varenyam

Bhargo devasya dhimahi

Dhiyo yo nah prachodhyat

Aum. Shanthi, Shanthi, Shanthi
 

Entrega



Assim como uma mãe amorosa cuida do seu filho, se alguém entregou sua vida a Deus com fé inabalável Nele, o Senhor cuida desse devoto; não há necessidade de preocupação com coisa alguma.

Sathya Sai Baba
                                                               
       
                                                                                                                            
http://nilvamelhor.blogspot.com/

Investigue quem você é...




Não há nada que você deva fazer ou mudar para ser o que você é. No entanto, existe algo que você deve reconhecer para deixar de ser aquilo que você não é: investigue quem você é.

Mooji



SER

Seu dever é SER, e não ser isso ou ser aquilo. "Eu sou o que eu sou" resume toda a verdade. O método é "fique em silêncio". O que significa o silêncio? Significa destrua seu "eu", pois qualquer forma é causa de problemas.

(Ramana Maharshi)




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Melhor da terapia


Será mesmo?

O melhor da Terapia é ficar observando os meus colegas loucos. Existem dois tipos de loucos. O louco propriamente dito e o que cuida do louco:o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou. Durante quarenta anos, passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como loucoconfesso, que estou adorando estar louco semanal.

O melhor da terapia é chegar antes, alguns minutos e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera. Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco. Ninguém olha para ninguém. O silencio é uma loucura. E eu, como escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses.

Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo. E a sala de espera de um "consultório médico", como diz a atendente absolutamente normal (apenas uma pessoa normal lê tanto Paulo Coelho como ela), é um prato cheio para um louco escritor como eu. Senão, vejamos:

Na última quarta-feira, estávamos:

1. Eu

2. Um crioulinho muito bem vestido,

3. Um senhor de uns cinqüenta anos e

4. Uma velha gorda.

Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles. Não foi difícil, porque eu já partia do princípio que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados.


(2) O pretinho, por exemplo. Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para levá-lo até aquela poltrona de vime. Deve gostar de uma branca, e os pais dela não aprovam o namoro e não conseguiu entrar como sócio do "Harmonia do Samba". Notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro. Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro. Podia ser perigoso. Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina.


(3) E o senhor de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos? Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques. Já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente, interrompendo o Paulo Coelho da outra. Faltava um botão na camisa. Claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.


(4) Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda e baixinha. Que bunda imensa. Como sofria meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Será que se masturbaria? Será que era esse o problema dela? Uma velha masturbadora? Não! Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa. Coitada. O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas e dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse.


Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista. Conto para ele a minha "viagem" na sala de espera. Ele ri, ..... ri muito, o meu psicanalista, e diz:

- O Ditinho é o nosso office-boy.

- O de terno preto é representante de um laboratório multinacional de remédios lá no Ipiranga e passa aqui uma vez por mês com as novidades.

- E a gordinha é a Dona Dirce, a minha mãe.

- E você, não vai ter alta tão cedo...


POIS É...

(Luiz Fernando Veríssimo)


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