Mostrando postagens com marcador MANOEL DE BARROS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador MANOEL DE BARROS. Mostrar todas as postagens
"Difícil fotografar o silêncio.

Entretanto tentei."

Manoel de Barros

Foto:Mustafasen


Natureza


Natureza é uma força que inunda como os desertos.


Manoel De Barros






DESEJAR SER



                                            Nasci para administrar o à-toa

o em vão

o inútil.


 

Pertenço de fazer imagens.
Opero por semelhanças.
Retiro semelhanças de pessoas com árvores
                 de pessoas com rãs
                 de pessoas com pedras
                 etc etc.


Retiro semelhanças de árvores comigo.
Não tenho habilidade pra clarezas.
Preciso de obter sabedoria vegetal.
(Sabedoria vegetal é receber com naturalidade uma rã no talo.)
E quando esteja apropriado para pedra, terei também sabedoria mineral.




Manoel de Barros


Mundo Pequeno - Manoel de Barros



Descobri aos 13 anos que o que me dava prazer nas
leituras não era a beleza das frases, mas a doença delas.
Comuniquei ao Padre Ezequiel, um meu Preceptor, esse gosto esquisito.
Eu pensava que fosse um sujeito escaleno.
- Gostar de fazer defeitos na frase é muito saudável, o Padre me disse.
Ele fez um limpamento em meus receios.
O Padre falou ainda: Manoel, isso não é doença,
pode muito que você carregue para o resto da vida um certo gosto por nadas...
E se riu.
Você não é de bugre? - ele continuou.
Que sim, eu respondi.
Veja que bugre só pega por desvios, não anda em estradas -
Pois é nos desvios que encontra as melhores surpresas e os ariticuns maduros.
Há que apenas saber errar bem o seu idioma.
Esse Padre Ezequiel foi o meu primeiro professor de
gramática.
do livro "O Livro das Ignorãças" - ed. Civilização Brasileira.
"Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos.
Tenho abundância se ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo"
(Manuel de Barros)

POEMA



Lugar sem comportamento é o coração.



Ando em vias de ser compartilhado.



Ajeito as nuvens no olho.



A luz daz horas me desproporciona.



Sou qualquer coisa judiada de ventos.



Meu fanal é um poente com andorinhas.



Desenvolvo meu ser até encostar na pedra.



Repousa uma garoa sobre a noite.



Aceito no meu fado o escurecer.



No fim da treva uma coruja entrava.





[ Manoel de Barros _ O livro das ignorãças ]





Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...