Sânias e neo-sânias:





Primeiramente, quero explicar como fiz a escritura desta palavra, que apareceu no Ocidente através do inglês - sannyas. Usei meu ouvido, meus conhecimentos em lingüística e escrevi o som da palavra dito por indianos em Puna. A Índia está reavendo seu direito de dizer como suas palavras são pronunciadas lá, na língua oficial deles, não mais com a interferência dos colonizadores ingleses. É possível que daqui surja um glossário de palavras que ainda não existam no nosso dicionário, mas que estão muito faladas pelos brasileiros, pois vamos aos montes à Índia.

Sânias é um discipulado. Esta palavra também tem um sentido usual que não corresponde ao original - chamamos alunos de discípulos, e professor de mestre. O resultado é muito feio, distorcido, mas é o que fazemos à revelia, no Ocidente.

Mestre é alguém que indica um caminho de compreensão; discípulo é alguém que, tendo compreendido, segue sua própria compreensão. Para que isso, tão simples, se dê, é necessário que haja uma entrega inicial por parte de quem se sente preparado para ser discípulo - coisa muito rara, principalmente no mundo atual, onde até as mulheres reivindicam seus direitos de não curvar a cabeça. Interessante: eu não curvo a minha. Mas, quando deparei-me com um Mestre verdadeiro, a quem procurei por tantas vidas, a minha cabeça curvou-se e houve uma entrega.

Mas por que "neo-sânias"? Eis a grande questão.

Osho é uma revolução no mundo da iniciação. E isso tem a ver com o fato de Ele não ser um iôgue, mas um Mestre do relaxamento, do let-go.

São dois os caminhos de evolução: o do Iôga e o do Tantra - o do esforço e o do relaxamento-entrega. Segundo tenho compreendido, depois de muito esforço chega-se ao relaxamento, ao Tantra. Osho reverte esse ensinamento que não deu muitas chances de evolução ao homem e começa pelo fim, pelo Tantra: "Se temos que relaxar, por que não começar relaxando?".

Quem ou o que impede o homem de relaxar, se ele nasceu relaxado? Eis outra grande questão. Como foi que nos esquecemos de nossa natureza? Que interesses nos tornaram máquinas - doentes, porque não somos máquinas -, rígidas, sofredoras? Será que só podemos ser educados dessa maneira? O que falta na nossa educação para que nos tornemos humanos e adultos?

Parece que agora teremos que resolver estas questões, pois são 6 bilhões de pessoas num planetinha... por enquanto...

Pois podemos contar com a clareza de visão do Mestre Osho para nos ajudar a enxergar no escuro. À medida que as pessoas forem sabendo qual é a fonte das grandes idéias que têm sido captadas e propagadas por várias pessoas ao redor do mundo, talvez a nossa inteligência se abra para receber o coração do Homem que mais amou os homens nos tempos modernos - Ele deu toda a Sua vida a essa pesquisa e foi muito bem sucedido. Pessoas de todas as partes do mundo estão se beneficiando com o Seu ensinamento - o testemunhar.

Meu desejo é que todos os homens comuns, como eu, possam entrar em contacto com o ser dentro deles mesmos. Não há nada fora, está tudo dentro, o mal e o bem.

Osho diz:

"Meu trabalho é basicamente para aquelas pessoas que simplesmente deram um salto, que não perguntaram por quê, que simplesmente olharam em meus olhos e sentiram um louco desejo, um louco anseio de ir comigo sem saber aonde isso irá terminar."

Osho A Sabedoria das Areias. Ed Gente. 1999,
(O Homem Com a Vida Inexplicável, vol. II, p. 137)

QUANDO AMAR SIGNIFICA SOFRER



M.A.D.A.(MULHERES QUE AMAM DEMAIS):

“Quando amar significa sofrer, estamos amando demais. Quando grande parte de nossa conversa com amigas íntimas é sobre ele, os problemas, os pensamentos, os sentimentos dele  e aproximadamente todas as nossas frases se iniciam com “ele”, estamos amando demais. Quando desculpamos sua melancolia, mau humor, indiferença ou desprezo como problemas devidos a uma infãncia infeliz, e quando tentamos nos tornar sua terapeuta, estamos amando demais. Quando lemos um livro de auto-ajuda e sublinhamos todas as passagens que pensamos que irão ajudá-lo, estamos amando demais. Quando não gostamos de muitas de suas características, valores e comportamentos básicos, mas toleramos pacientemente, achando que, se ao menos formos atraentes e amáveis o bastante, ele irá se modificar por nós, estamos amando demais. Quando o relacionamento coloca em risco nosso bem-estar emocional, e talvez até nossa saúde e segurança física, estamos definitivamente amando demais.”

Trecho do livro “Mulheres que amam demais”, de Robin Norwood, Editora Siciliano.

Caso você ache que tem um problema de dependência emocional de pessoas ou de homens, talvez você precise de ajuda especializada. Recomendo a leitura do livro acima e  uma visita ao site das “mulheres que amam demais anônimas” – http://www.grupomada.com.br

Lembre-se: Um relacionamento, para dar certo, deve acontecer entre dois parceiros que compartilhem valores, interesses e objetivos semelhantes, e que possuam ambos capacidade para serem íntimos. Saiba que você é digna de amor, consideração e respeito ou seja, você merece o melhor que  vida tem a oferecer.

SER LEVE...

Fechei os olhos e pedi um favor ao vento: Leve tudo o que for desnecessário. Ando cansada de bagagens pesadas.
Daqui para frente apenas o que couber no bolsa e no coração.
Cora Coralina

É ASSIM...


Estou desconfiada de que a gente cresce quando começa a aprender, com o sentimento, muito além da retórica, a não permitir que uma desilusão ou outra nos afaste de nós mesmos e nem dos nossos sonhos mais bonitos. Estou desconfiada que a gente cresce quando é capaz de entender que estar vivo é perigoso, sim, é trabalhoso, sim, mas também é uma oportunidade rara e imperdível.

Ana Jácomo

POEMA SUFI


Esquece o mundo e comanda o mundo.
Sê a lâmpada, o barco salva-vidas,
a escada.

Sai de tua casa e, como o pastor,
ajuda a curar a alma do teu próximo.
Entra no fogo espiritual
e deixa-te calcinar.

Sê o pão bem assado, sê o senhor da mesa.
Vem, sacia teus irmãos.
Tu, que tens sido a fonte da dor,
sê agora o deleite.

Viveste como uma casa sem alicerces.
Sê agora o Um que perscruta
o interior do invisível.

Assim que me calei,
uma voz chegou aos meus ouvidos:
"Se te tornas isto, serás aquilo."

Silêncio!
E depois mais silêncio.
Não uses a boca para falar.
A boca é para provar dessa doçura.

JALAL AL-DIN RUMI


Ao encararmos a nós mesmos

Algum dia, em qualquer parte,
em qualquer lugar,
indefetivelmente,
encontrar-te-ás a ti mesmo
e essa, só essa,
pode ser a mais feliz
ou a mais amarga
das tuas horas.

Pablo Neruda

MINHA ORAÇÃO É O SILÊNCIO

 
Se você for ao templo e sua oração se tornar um desejo, ela jamais será ouvida, pois uma oração só é possível quando o desejo não estiver presente. Um desejo jamais pode se tornar uma oração. Se você pedir algo, você perderá; não estará orando. E Deus sabe quais são suas necessidades.

Havia um santo Sufi, Bayazid, que costumava dizer sempre: “Deus sabe do que preciso, por isso nunca orei — porque é tolice! O que dizer a Ele?Ele já sabe. Se eu digo algo que Ele já sabe, é tolice. Se tento achar algo que Ele não sabe, também é tolice. Como é que você pode pensar uma coisa dessas? Por isso, simplesmente nunca me preocupei. Tudo que preciso, Ele sempre me dá”.

Mas, naquela época, ele era muito pobre, faminto, rejeitado na cidade por onde passava. Ninguém estava disposto a lhe dar um abrigo para a noite. E a noite estava escura e ele estava sentado sob uma árvore; fora da cidade era perigoso.

E um discípulo disse: “O que dizer dessa situação? Se Ele sabe que Seu amado Bayazid está em tal apuro — que a cidade o rejeitou, que está com fome e sem comida, sentado sob uma árvore, com animais selvagens à volta, sem poder dormir — de que tipo de Deus você está falando, que sabe de tudo que você necessita?”

Bayazid sorriu e respondeu: “Ele já sabe que é isto o que preciso neste momento. Esta é a minha necessidade! De outra forma, como? — porque eu deveria estar assim? Deus sabe quando você necessita da pobreza”, disse Bayazid, “e quando você necessita da riqueza. E Deus sabe quando você precisa jejuar e quando você precisa participar de um banquete. Ele sabe! E esta é minha necessidade neste exato momento”.

Você não pode pedir. Se o fizer, não lhe será concedido. No próprio pedir, você prova que não é capaz de recebê-lo.

A oração deveria ser silenciosa. O silêncio é a oração. Quando as palavras chegam, os desejos imediatamente as sucedem — porque as palavras são o veículo do desejo. No silêncio, como você pode desejar? Já tentou? No silêncio você pode desejar alguma coisa?

Como pode desejar, estando em silêncio? A linguagem será necessária, todas as linguagens pertencem ao reino do desejo. Daí a insistência, de todos os que sabem, a respeito de permanecer em silêncio, porque somente quando não há palavras na sua mente é que o desejo cessa; de outro modo, o desejo estará escondido atrás de cada palavra.

Osho, em “Antes que Você Morra”

QUEM É VOCÊ?



A mente é passado, é memória, todas as experiências acumuladas num certo sentido. Tudo o que você já fez, tudo o que já pensou, tudo o que já desejou, tudo o que já sonhou – tudo, seu passado inteiro, sua memória – mente é memória. E a menos que se livre da memória, você não conseguirá dominar a mente. Como se livrar da memória? Ela está sempre ali, seguindo você. Na verdade, você é a memória, então como se livrar dela? Quem é você sem as suas lembranças? Quando eu pergunto“Quem é você?” você me diz seu nome – isso é uma lembrança. Seus pais lhe deram um nome um tempo atrás. Eu pergunto “Quem é você?” e você me fala de sua família, do seu pai, da sua mãe – isso é uma lembrança. Eu pergunto “Quem é você?” e você me conta o que estudou, seu nível de instrução, que fez mestrado em Artes ou que tem doutorado ou que é engenheiro ou arquiteto. Isso é uma lembrança. Quando eu pergunto“Quem é você?” se você de fato olhar para dentro, só terá uma resposta:“Não sei”. Tudo o que disser será apenas uma lembrança, não você de verdade. A única resposta verdadeira, autêntica, só pode ser “Não sei”pois conhecer a si próprio é a última coisa que você faz. Eu posso dizer quem sou, mas não digo. Você não pode dizer quem é, mas se apressa em dar a resposta. Aqueles que sabem quem são, guardam silêncio sobre isso. Pois, se toda a memória for descartada e toda a linguagem for descartada, então quem eu sou não pode ser dito. Eu posso olhar dentro de você, posso dar a você um gesto, posso ficar com você, com todo o meu ser – essa é a minha resposta. Mas a resposta não pode ser expressa em palavras, pois tudo que é expresso em palavras faz parte da memória, da mente, não da consciência.  Como se livrar das lembranças? Observe-as, testemunhe-as. E lembre-se sempre: “Isso aconteceu comigo, mas isso não sou eu.” É claro que você nasceu numa determinada família, mas isso não é você, aconteceu com você, é um acontecimento externo a você. Alguém lhe deu um nome, você o tem usado, mas ele não é você. É claro que você tem uma forma, mas a forma não é você, ela é só a casa em que por acaso você está. A forma é só o corpo em que por acaso você está. E o corpo lhe foi dado por seus pais – é uma dádiva, mas não é você. Observe e tenha discernimento. Isso é o que no Oriente chamam de discernimento – você usa o tempo todo a sua capacidade de discernir. Continue fazendo isso – chegará um momento em que você terá eliminado tudo o que não é você. De repente, nesse estado, você se olha pela primeira vez e encontra seu próprio ser. Continue jogando fora todas as identidades que não são você – a família, o corpo, a mente. Nesse vazio, quando tiver jogado fora tudo o que não for você, de repente seu ser vem à tona. Pela primeira vez você encontra si mesmo, e esse encontro passa a ser o domínio. MESTRE OSHO (Livro: “Consciência – A Chave para Viver em Equilíbrio”)
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