Conclusão - TAROT ZEN OSHO


Este é o jeito Zen: não dizer as coisas até o fim. Isso precisa ser compreendido, pois é uma metodologia muito importante. Não dizer tudo significa dar uma oportunidade para que o ouvinte complete o que está sendo dito.


Todas as respostas vêm incompletas. O mestre só lhe terá dado uma direção...

No momento em que você chegar ao limite, você saberá o que irá permanecer.

Sendo assim, se alguém estiver tentando compreender o Zen intelectualmente, irá fracassar. Não se trata de uma resposta para uma pergunta, mas de algo maior do que a resposta. Trata-se da indicação da própria realidade...



A natureza do buda não é coisa muito distante: a sua própria consciência é natureza de buda. E a sua consciência é capaz de testemunhar as coisas que constituem o mundo. O mundo chegará a um fim, mas o espelho permanecerá, espelhando o nada.



Osho Joshu: The Lion's Roar Chapter 5



Comentário:

Aqui, a última peça de um quebra-cabeça está sendo colocada em seu lugar: a posição do terceiro olho, o lugar da percepção interior.

Mesmo no fluxo sempre mutável da vida, há instantes em que chegamos a um ponto de completude. Nesses momentos, somos capazes de apreender o quadro completo, o conjunto de todas as pequenas peças que ocuparam por tanto tempo a nossa atenção. No momento da conclusão, podemos tanto nos sentir em desespero -- porque não queremos que aquela situação chegue a um fim --, como podemos nos sentir agradecidos e receptivos ao fato de que a vida é cheia de conclusões e de novos começos.

O que quer que tenha estado absorvendo o seu tempo e sua energia, agora está chegando ao fim. Ao concluir isso, você estará criando condições para que alguma coisa nova possa começar. Use essa pausa momentânea para celebrar ambas as coisas: o encerramento do velho e a chegada do novo.

Participação - TAROT ZEN OSHO


Alguma vez você já percebeu a noite passar? Pouquíssimas pessoas tomam consciência das coisas que estão acontecendo todos os dias. Você já prestou atenção ao chegar da noite? À meia-noite e à sua canção? Ao nascer do sol e à sua beleza?




Temos nos comportado quase como um bando de cegos. Num mundo tão bonito, vivemos em pequenos compartimentos da nossa própria miséria. Ela é familiar; assim, mesmo que alguém queira arrancá-lo dali, você resistirá. Você não quer ser afastado da sua miséria, do seu sofrimento. Em contrapartida, há tanta alegria por toda à volta... você tem apenas de perceber isso e tornar-se um participante, não um espectador.



Filosofia é especulação; Zen é participação. Participar da despedida da madrugada, participar da chegada da noite, participar das estrelas e das nuvens; faça da participação o seu estilo de vida, e toda a existência se transformará numa enorme alegria, num grande êxtase! Você não poderia ter imaginado um universo melhor.



Osho Zen: The Miracle Chapter 2



Comentário:

Cada uma das figuras desta mandala está com a palma da mão esquerda voltada para cima, em atitude de quem recebe, e a mão direita voltada para baixo, em atitude de quem dá. O círculo que elas compõem cria um tremendo campo de energia que assume a forma do "dorje" duplo, o símbolo tibetano para o relâmpago.

A mandala tem uma natureza semelhante à do campo de energia que se forma em torno de um buda, para o qual todas as pessoas que tomam parte no círculo trazem contribuições únicas para a criação de um todo unificado e vital. É como uma flor que, no seu conjunto, é ainda mais bonita do que a soma de suas partes, e ao mesmo tempo aumenta a beleza de cada uma das suas pétala.

Agora, uma oportunidade está sendo dada a você, para participar junto com outras pessoas, dando a sua contribuição para criar algo maior e mais belo do que o que cada um de vocês seria capaz de fazer isoladamente. Sua participação não apenas irá nutri-lo, mas, também, trará uma contribuição preciosa para o conjunto.

Intensidade - TAROT ZEN OSHO


O Zen diz: Considere todos os grandes ditos e os grandes ensinamentos, como seus inimigos mortais. Evite-os, porque você precisa encontrar a sua própria fonte.


Você não tem que ser um seguidor, um imitador. Você precisa ser um indivíduo original; precisa encontrar por si mesmo o seu âmago mais profundo, sem nenhum guia, sem escrituras que o orientem. É uma noite escura, mas com a chama intensa dessa busca, você está destinado a chegar até o nascer do sol.



Todos os que arderam com uma intensa procura, encontraram o nascer do sol. Outros limitam-se a acreditar. Esses que acreditam não são religiosos; eles estão simplesmente evitando, com essa crença, a grande aventura da religião.



Osho Zen: Turning In Chapter 10



Comentário:

A figura desta carta assumiu a forma de uma seta, movendo-se com o foco unidirecionado daquele que sabe precisamente onde está indo. Movimenta-se com tamanha velocidade que quase se transformou em pura energia. Sua intensidade não deve, porém ser confundida com a energia obsessiva que faz as pessoas dirigirem seus carros à velocidade máxima para ir do ponto A para o ponto B. Esse tipo de intensidade pertence ao mundo horizontal do espaço/tempo. A intensidade representada pelo Cavaleiro do Fogo é pertinente ao mundo vertical do momento instantâneo -- um reconhecimento de que agora é o único momento que existe, e de que aqui é o único espaço.

Quando você age com a intensidade do Cavaleiro do Fogo, é provável que isso provoque ondulação nas águas à sua volta. Alguns irão sentir-se valorizados e renovados pela sua presença, outros poderão sentir-se ameaçados ou incomodados. As opiniões alheias importam pouco, porém; nada poderá detê-lo neste momento.

Inocência - TAROT ZEN OSHO


O Zen diz que se você abandonar o conhecimento -- e dentro do conhecimento inclui-se tudo: seu nome, sua identidade, tudo... porque tudo isso lhe foi dado pelos outros --, se você abandonar tudo o que lhe foi dado pelos outros, você adquirirá uma qualidade totalmente diferente de ser -- a inocência.


Isso será uma crucificação da persona, da personalidade, e haverá uma ressurreição da sua inocência; você se tornará outra vez uma criança, renascida.



Osho Dang Dang Doko Dang Chapter 7



Comentário:

O velho desta carta irradia no mundo uma satisfação de criança. Há uma atmosfera de graça à sua volta, indicando que ele está bem consigo mesmo, e com o que a vida lhe proporcionou. Parece que ele está conversando alegremente com o louva-a-deus em seu dedo, como se os dois fossem os maiores amigos. As flores cor-de-rosa que cascateiam em torno dele representam um tempo de deixar-acontecer, de relaxamento e doçura. Elas são uma resposta à sua presença, um reflexo da sua própria natureza.

A inocência que advém de uma profunda experiência de vida é semelhante à de uma criança, sem ser infantil. A inocência das crianças é bela, mas ignorante. Ela será substituída por desconfiança e dúvida à medida que a criança for crescendo e aprendendo que o mundo pode ser um lugar perigoso e ameaçador. A inocência, porém, de uma vida plenamente vivida, tem um quê da sabedoria e da aceitação do milagre da vida em eterna mudança.

Condicionamento - TAROT ZEN OSHO


A menos que você abandone a sua personalidade, você não será capaz de encontrar a sua individualidade. A individualidade é dada pela existência; a personalidade é imposta pela sociedade. Personalidade é conveniência social.


A sociedade não pode tolerar a individualidade porque a individualidade não acompanhará o rebanho, como uma ovelha. A individualidade tem a natureza do leão: o leão move-se sozinho.

As ovelhas estão sempre em rebanho, na esperança de que estar em grupo será aconchegante. Em meio à multidão, o indivíduo sente-se mais protegido, seguro. Se alguém atacar, na multidão há todas as possibilidades de você se salvar. Mas, e estando só? -- apenas os leões andam sós.



Cada um de vocês nasceu leão, mas a sociedade está sempre condicionando, programando a mente de vocês como ovelhas. Ela lhes imprime uma personalidade, uma personalidade agradável, simpática, muito conveniente, muito obediente.

A sociedade quer escravos, não pessoas que sejam absolutamente dedicadas à liberdade. A sociedade quer escravos porque os interesses estabelecidos querem obediência.



Osho One Seed Makes the Whole Earth Green Chapter 4



Comentário:

Esta carta lembra uma antiga história Zen a respeito de um leão que foi criado por ovelhas, e pensava que era uma delas, até que um velho leão o capturou e o levou até um lago, onde lhe mostrou o seu próprio reflexo. Muitos de nós somos como esse leão -- a imagem que temos de nós mesmos não advém da nossa própria vivência direta, mas das opiniões dos outros. Uma "personalidade" imposta de fora substitui a individualidade que poderia ter se desenvolvido de dentro. Nós nos tornamos apenas mais uma ovelha no rebanho, incapazes de nos movermos livremente, e inconscientes da nossa verdadeira identidade.

É hora de dar uma olhadela no seu próprio reflexo no lago, e de tomar a iniciativa de libertar-se do que quer que lhe tenha sido imposto como condicionamento pelos outros, com o objetivo de fazer você acreditar em qualquer coisa a seu respeito. Dance, corra, mexa-se, fale uma língua inexistente -- tudo o que for necessário para acordar o leão adormecido dentro de você.

Consciência - TAROT ZEN OSHO


Nós viemos do desconhecido, e avançamos para o desconhecido. Nós ainda voltaremos. Já estivemos por aqui milhares de vezes, e voltaremos milhares de vezes. O nosso ser essencial é imortal, mas nosso corpo, a nossa corporificação, é mortal. As molduras em que nos colocamos, nossas casas, o corpo, a mente, são feitas de coisas materiais. Essas coisas perderão a força, ficarão velhas, elas morrerão. A sua consciência, porém, para a qual Bodhidharma usa a palavra "não-mente" -- o Buda Gautama também usou essa palavra, "não-mente" -- é algo que está além do corpo e da mente, algo que está além de tudo; essa "não-mente" é eterna. Ela adquire uma expressão física, e torna a mergulhar depois no desconhecido. Esse movimento, do desconhecido para o conhecido e do conhecido para o desconhecido, continua por toda a eternidade, a menos que a pessoa se torne iluminada. Quando isso acontecer, essa será a sua última vida: essa flor não voltará mais. A flor que se torna consciente de si mesma não precisa mais voltar à vida, porque a vida nada mais é do que uma escola aonde se vem para aprender. É alguém que aprendeu a lição e encontra-se agora acima das ilusões. Pela primeira vez, você não irá mais se deslocar do conhecido para o desconhecido, mas para o incognoscível.




Osho Bodhidharma, the Greatest Zen Master Chapter 5



Comentário:

A maioria das cartas deste naipe da mente ou é cômica ou é conturbada, porque a influência da mente na nossa vida é geralmente ridícula ou opressiva. Esta carta da Consciência, porém, apresenta uma imagem enorme do Buda. Ele é tão expansivo, que vai até além das estrelas, e o que existe acima da sua cabeça é o vazio puro.

Esse Buda representa a consciência que está ao alcance de todos os que se tornam mestres da sua própria mente, e que são capazes de utilizá-la como o instrumento que ela foi feita para ser.

Quando você escolhe esta carta, isso significa que agora já há uma luz cristalina disponível, independente, enraizada na tranqüilidade profunda que existe no âmago do seu ser. Já não há a vontade de entender as coisas sob a perspectiva da mente -- a compreensão que você tem agora é existencial, inteira, em consonância com o próprio pulsar da vida. Aceite essa dádiva enorme, e compartilhe.

Coragem - TAROT ZEN OSHO


A semente não pode saber o que lhe vai acontecer, a semente jamais conheceu a flor. E a semente não pode nem mesmo acreditar que traga em si a potencialidade para transformar-se em uma bela flor. Longa é a jornada, e sempre será mais seguro não entrar nessa jornada, porque o percurso é desconhecido, e nada é garantido. Nada pode ser garantido. Mil e uma são as incertezas da jornada, muitos são os imprevistos -- e a semente sente-se em segurança, escondida no interior de um caroço resistente. Ainda assim ela arrisca, esforça-se; desfaz-se da carapaça dura que é a sua segurança, e começa a mover-se. A luta começa no mesmo momento: a batalha com o solo, com as pedras, com a rocha. A semente era muito resistente, mas a plantinha será muito, muito delicada, e os perigos serão muitos.



Não havia perigo para a semente, a semente poderia ter sobrevivido por milênios, mas para a plantinha os perigos são muitos. O brotinho lança-se, porém, ao desconhecido, em direção ao sol, em direção à fonte de luz, sem saber para onde, sem saber por quê. Enorme é a cruz a ser carregada, mas a semente está tomada por um sonho, e segue em frente.



Semelhante é o caminho para o homem. É árduo. Muita coragem será necessária.



Osho Dang Dang Doko Dang Chapter 4



Comentário:

Esta carta mostra uma pequena flor silvestre que enfrentou o desafio das rochas, das pedras em seu caminho, para aflorar à luz do dia. Envolta em brilhante aura de luz dourada, ela exibe a majestade do seu pequenino ser. Sem nenhum constrangimento, equipara-se ao sol mais brilhante.

Quando nos defrontamos com uma situação muito difícil, há sempre uma escolha: podemos ficar repletos de ressentimentos e tentar encontrar alguém ou alguma coisa em que pôr a culpa pelas nossas dificuldades, ou podemos enfrentar o desafio e crescer.

A flor nos mostra o caminho, na medida em que a sua paixão pela vida a conduz para fora da escuridão, para o mundo da luz. Não há nenhum sentido em se lutar contra os desafios da vida, ou tentar evitá-los ou negá-los. Eles estão aí, e se a semente deve transformar-se na flor, precisamos passar por eles. Seja corajoso o bastante para transformar-se na flor que você foi feito para ser.





A Consciência de Si Mesmo


“Este sutra diz respeito à consciência: ‘Incenso é criar o fogo da consciência em si mesmo’ !

Primeiro é preciso entender o que se quer dizer por consciência. Você está caminhando; você está consciente de muitas coisas: das lojas, das pessoas passando por você, do tráfego, de tudo. Você está consciente de muitas coisas, apenas de uma coisa você está inconsciente: de você mesmo. Você está caminhando na rua: você está consciente de muitas coisas; você só não está consciente de si mesmo! Essa consciência de si Gurdjeff chamava ‘lembrança de si’. Gurdjeff dizia, ‘Constantemente, onde você estiver, lembre-se de si mesmo.’

Por exemplo, você está aqui. Você está me ouvindo, mas você não está consciente de quem está ouvindo, você não está consciente de si mesmo. Você pode estar consciente de quem está falando, mas você não está consciente daquele que está ouvindo. Esteja consciente de quem está ouvindo. Sinta a si mesmo aqui; você está aqui. Por um momento um vislumbre surge, e novamente você se esquece. Tente!

O que quer que você esteja fazendo, continue internamente fazendo uma coisa sem interromper: esteja consciente de si mesmo ao fazer aquilo. Você está comendo: esteja consciente de si mesmo. Você está caminhando: esteja consciente de si mesmo. Você está ouvindo, ou está falando: esteja consciente de si mesmo. Quando você estiver com raiva, esteja consciente de que você está com raiva. No exato momento em que a raiva estiver ali, esteja consciente de que você está com raiva. Essa constante lembrança de si cria uma energia sutil – uma verdadeira energia sutil dentro de você. Você começa a ser um ser cristalizado.

Normalmente, você é apenas um saco frouxo. Nenhuma cristalização, nenhum centro realmente – apenas uma liquidez, apenas uma frouxa combinação de muitas coisas sem qualquer centro – uma multidão, constantemente se modificando e se mudando, sem qualquer mestre interior. Por consciência se quer dizer: seja um mestre! E quando eu digo ‘Seja um mestre’, eu não quero dizer seja um controlador. Quando eu digo ‘Seja um mestre’, eu quero dizer, seja uma presença – uma presença contínua. O que quer que você esteja fazendo ou não fazendo, uma coisa precisa estar constantemente em sua consciência: que você é.

Este simples sentir a si mesmo, sentir que se é, cria um centro – um centro de quietude, um centro de silêncio, um centro de mestria interior – um poder interno. E quando eu digo ‘um poder interno’ eu quero dizer isso literalmente. É por isso que esse sutra diz ‘o fogo da consciência’. Ela é um fogo. Ela é um fogo! Se você começar a estar consciente, você começará a sentir uma nova energia em você – um novo fogo, uma nova vida. E por causa dessa nova vida, novo poder, nova energia, muitas coisas que estavam dominando você simplesmente se dissolvem. Você não tem que brigar com elas.

Você só tem que brigar com sua raiva, sua cobiça, seu sexo, porque você é fraco. Assim, na verdade, a cobiça, a raiva e o sexo não são os problemas. A fraqueza é o problema. Uma vez que você comece a ficar forte internamente, com a percepção da presença interna que você é, as suas energias se tornam concentradas, cristalizadas num único ponto e um Eu nasce. Lembre-se, não um ego, mas um Eu nasce. O ego é um falso entendimento do Eu. Sem ter algum Eu, você continua acreditando que você tem um Eu. Isso é o ego. Ego significa um falso eu. Você não é um Eu, e ainda assim você acredita que você é um Eu.





Maulungputra, um buscador da verdade, foi até Buda. Buda lhe perguntou, ‘O que você está procurando?’

Maulungputra disse, ‘Eu estou procurando o meu Eu. Ajude-me!’

Buda pediu-lhe para fazer uma promessa: tudo o que lhe fosse dito, ele teria que fazer. Maulungputra começou a chorar e disse, ‘Como eu posso prometer? ‘Eu’ não sou. ‘Eu’ ainda não sou. Como posso prometer? Eu não sei o que serei amanhã. Eu não tenho qualquer Eu que possa prometer, por isso, não me peça o impossível. Eu tentarei. Eu posso dizer no máximo isso: eu tentarei. Mas eu não posso dizer que tudo o que você diga eu farei, porque quem fará isso? Eu estou à procura daquele que pode prometer e que possa cumprir uma promessa. ‘Eu’ ainda não sou.’

Buda disse, ‘Maulungputra, foi para ouvir isso que eu formulei aquela questão. Se você tivesse prometido, eu o teria mandado ir embora. Tivesse você dito, ‘Eu prometo que farei isso.’ Eu teria sabido que você não está realmente à procura do Eu, porque um buscador precisa saber que ‘ele’ ainda não é. Senão, qual o propósito da procura? Se você já é, não há necessidade. Você não é! E se isso pode ser percebido, então o ego evapora.’







O ego é uma falsa noção de algo que não existe em absoluto. ‘Eu” significa um centro que pode prometer. Esse centro é criado por estar continuamente consciente, constantemente consciente. Esteja consciente de que você está fazendo alguma coisa – de que você está sentado, que agora você está indo dormir, que agora o sono está chegando, que você está caindo no sono. Tente estar consciente em todo momento, e então você começará a sentir que um centro nasceu dentro de você, as coisas começaram a cristalizar, um centramento está ali. Tudo agora se relaciona a um centro.

Nós estamos sem centros. Algumas vezes nós nos sentimos centrados, mas aqueles são momentos em que a situação torna você consciente. Se de repente existe uma situação, uma situação muito perigosa, você começa a sentir um centro em você porque no perigo você se torna consciente. Se alguém vai matá-lo, naquele momento você não pode pensar, naquele momento você não pode estar inconsciente. Toda a sua energia está centrada, e aquele momento se torna sólido. Você não pode se voltar para o passado, nem pode se voltar para o futuro. Este exato momento se torna tudo. E então você está consciente não apenas do matador: você se torna consciente de si mesmo – daquele que está sendo morto.

Naquele momento penetrante você começa a sentir um centro dentro de si mesmo. É por isso que os jogos perigosos exercem atração. Pergunte a alguém que está indo escalar o topo do Gourishankar, do Monte Everest. Quando pela primeira Hillary foi até lá, ele deve ter sentido um centro subitamente. E quando pela primeira vez alguém chegou à Lua, uma súbita sensação de um centro deve ter ocorrido. É por isso que o perigo atrai. Você está dirigindo um carro e vai aumentando mais e mais a velocidade, até que a velocidade se torna perigosa. Então você não consegue pensar; os pensamentos param. Então você não pode sonhar, não pode imaginar. Então o presente se torna sólido. Em tal momento perigoso, quando a qualquer momento a morte é possível, de repente você fica consciente de um centro em si mesmo. O perigo somente atrai porque em perigo você algumas vezes se sente centrado.

Nietzsche disse em algum lugar que a guerra deveria continuar porque somente na guerra um Eu às vezes é sentido – um centro é sentido – porque guerra é perigo. E quando a morte se torna uma realidade, a vida se torna intensa. Quando a morte está bem próxima, a vida se torna intensa e você fica centrado. Em qualquer momento em que você se torna consciente de si mesmo, existe um centramento. Mas se isso é situacional, então quando a situação se desfaz aquilo desaparece.

Isso não deve ser apenas situacional. Isso deve ser mais interno. Assim, tente estar consciente em toda atividade comum. Quando sentar em sua cadeira, tente isso: esteja consciente de quem está sentado. Não apenas da cadeira, não apenas do quarto, da atmosfera ao redor, esteja consciente daquele que está sentado. Feche seus olhos e sinta você mesmo; pesquise profundamente e sinta você mesmo.

Herrigel estava aprendendo com um Mestre Zen. Por três anos continuamente, ele esteve aprendendo a arte de manejar o arco. E o Mestre sempre lhe dizia, ‘Está bom. Tudo o que você está fazendo está bom, mas ainda não é o bastante.’ Herringel tornou-se um arqueiro mestre. A sua pontaria tornou-se cem por cento perfeita, e ainda assim o Mestre lhe dizia, ‘Você está indo bem, mas ainda não o bastante.’

‘Com uma pontaria cem por cento perfeita!’ disse Herrigel. ‘Então, o que você espera? Como eu posso agora ir mais adiante? Com cem por cento de precisão, como você pode esperar algo mais?’

Conta-se que o Mestre Zen lhe disse, ‘Eu não estou me referindo à sua arte de manejar o arco, nem à sua pontaria. Eu estou me referindo a você. Tecnicamente você se tornou perfeito. Mas quando a sua flecha deixa o arco, você não está consciente de si mesmo, então tudo isso é fútil. Eu não estou interessado na flecha alcançando o alvo. Eu estou interessado em você! Quando a flecha no arco é lançada, internamente também a sua consciência deve ser lançada. E mesmo se você errar o alvo, isso não faz diferença alguma, mas o alvo interior não deve ser errado, e você o está errando. Você se tornou tecnicamente perfeito, mas você é um imitador.’ Mas para uma mente ocidental ou, na verdade, para uma mente moderna (e a mente ocidental é a mente moderna), é muito difícil se conceber isso. Isso parece tolice. A arte do manejo do arco diz respeito a uma eficiência em se ter uma mira muito particular.

Aos poucos Herringel foi ficando desapontado e um dia ele disse, ‘Agora estou indo embora. Isso parece impossível. Isso é impossível! Quando você está mirando em algo, a sua consciência vai ao seu alvo, ao objeto, e se você quiser ser um arqueiro bem sucedido você terá que se esquecer de si mesmo – para se lembrar apenas da pontaria, do alvo, e esquecer o resto. Somente o alvo deve estar ali.’ Mas o Mestre Zen estava continuamente forçando-o a criar um outro alvo interno. Este arco deve ser usado para atirar em dupla direção: apontando para o alvo externo e continuamente apontando em direção ao interno – o Eu.

Herrigel disse, ‘Agora eu me vou. Isso parece impossível. A sua condição não pode ser satisfeita.’ E no dia em que estava partindo, ele estava sentado. Ele veio para despedir-se do Mestre, e o Mestre estava apontando para um outro alvo. Outra pessoa estava aprendendo e pela primeira vez Herrigel não estava envolvido. Ele estava sentado e só estava ali para se despedir. No momento em que o Mestre terminasse sua aula ele iria se despedir e partir. Pela primeira vez, ele não estava envolvido.

Mas então, de repente, ele tomou consciência do Mestre e da consciência duplamente direcionada do Mestre. O Mestre estava mirando. Por três anos continuamente ele esteve com o mesmo Mestre, mas ele estava mais interessado em seu próprio esforço. Ele nunca viu realmente esse homem – o que ele estava fazendo. Pela primeira vez ele viu e percebeu, e de repente, espontaneamente, sem qualquer esforço, ele veio até o Mestre, pegou o arco de suas mãos, mirou o alvo e lançou a flecha. E o Mestre disse, ‘O.K.! Pela primeira vez você conseguiu. Eu estou feliz.’

O que ele fez?Pela primeira vez ele estava centrado em si mesmo, o alvo estava lá, mas ele também estava lá – presente. Assim, tudo o que você estiver fazendo, tudo – não precisa ser a arte de manejo de arco: tudo o que você estiver fazendo, até mesmo o simples estar sentado – esteja duplamente direcionado. Lembre-se do que está acontecendo do lado de fora e também se lembre de quem está dentro. (....)

Não me pergunte ‘Quem sou eu?’ Feche os olhos, vá para dentro e descubra quem está perguntando, quem é esse questionador. Esqueça de mim. Descubra a fonte da pergunta. Vá profundamente para dentro. (....)

Isto tem que ser descoberto e consciência significa o método para se descobrir esse centro mais interno. Quanto mais inconsciente você for, mais distante você estará de si mesmo. Quanto mais consciente, mais próximo de alcançar a si mesmo. Se a consciência for total, você estará no centro. Se a consciência for menor, você estará próximo da periferia. Quando você está inconsciente você está na periferia, onde o centro é completamente esquecido. Assim, essas são as duas possibilidades de se mover.

Você pode se mover para a periferia; então você se move para a inconsciência. Sentado diante de um filme, sentado em algum lugar ouvindo uma música, você pode esquecer-se de si mesmo; então você está na periferia. Mesmo me ouvindo, você pode esquecer-se de si mesmo. Então, de novo, você está na periferia. Lendo o Gita ou a Bíblia ou o Corão, você pode esquecer-se de si mesmo. Então você está na periferia.

Tudo o que você fizer, se você puder lembrar-se de si mesmo, então você estará próximo do centro. Até que um dia, de repente, você estará centrado. Então você terá energia. Essa energia, esse sutra diz, é o fogo. Toda a vida, toda a existência, é energia, é fogo. Fogo é um nome velho; agora eles chamam isso de eletricidade. O homem rotulou isso com muito nomes, mas fogo é um bom nome. Eletricidade parece um pouco morto; fogo parece mais vivo. Esse fogo interno, o sutra diz, é o incenso. Quando alguém vai a um culto, leva algum incenso, dhoop, com ela. Aquele dhoop, aquele incenso, é sem utilidade a não ser que você tenha vindo com seu fogo interno como sendo o incenso. (.....)

Aja atentamente. Esta é uma jornada longa e árdua e é difícil estar consciente até mesmo por um simples momento. A mente está constantemente batendo as asas. Mas isso não é impossível. Isso é árduo, isso é difícil, mas não é impossível. É possível! Para todo mundo isso é possível. Somente esforço é necessário – um esforço com todo o coração. Nada pode ser deixado para trás: nada internamente deve ser deixado sem ser tocado. Tudo deve ser sacrificado pela consciência. Somente então a chama interna será descoberta. Ela está ali. Se alguém descobrir a unidade essencial entre todas as religiões que já existiram ou que ainda possam existir, então essa simples palavra ‘consciência’ será a descoberta. (....)

Consciência é a técnica para se centrar, para alcançar o fogo interno. Ele está ali dentro. E uma vez que ele seja descoberto, somente então nós somos capazes de entrar no templo – não antes, nunca antes.

Mas nós podemos enganar a nós mesmos com os símbolos. Os símbolos existem para nos mostrar realidades profundas, mas nós podemos usá-los como fraudes. Nós podemos queimar um incenso externo, nós podemos adorar objetos externos, e então nos sentirmos à vontade, achando que fizemos alguma coisa. Podemos nos sentir religiosos sem que sejamos absolutamente religiosos. Isso é o que está acontecendo; é nisso que a terra se tornou. Todo mundo pensa que é religioso só porque está seguindo símbolos externos, sem qualquer fogo interno.

Continue fazendo esforços mesmo se você fracassar. Você está no começo. Você irá fracassar mais vezes, mas mesmo o seu fracasso irá ajudá-lo. Quando você fracassa ao tentar ser consciente por um simples momento, você sente pela primeira vez o quanto você é inconsciente.

Caminhando ao longo da rua, você não consegue dar alguns poucos passos sem cair na inconsciência. De novo você se esquece de si mesmo. Você começa a ler um letreiro e esquece de si mesmo. Alguém passa, você olha e então esquece de si mesmo.

Os seus fracassos serão úteis. Eles lhe mostrarão o quanto você é inconsciente. E mesmo se puder se tornar consciente de que você é inconsciente, você terá ganho uma certa consciência.

Se um louco se tornar consciente de que ele é louco, já estará no caminho da sanidade.”



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OSHO - The Ultimate Alchemy - Vol. 2 - Capítulo #1 -

Palestras sobre Atma Pooja Upanishad.

Tradução: Sw. Bodhi Champak





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