O ser humano está condenado a ser livre




 Jean-Paul Sartre

Segundo Jean-Paul Charles Aymard Sartre, filósofo francês nascido em 1905, o ser humano é livre e nada o força a fazer o que faz. Quando citou “nós estamos sozinhos, sem desculpas“, passa para nós a condição de seres conscientes e culpados pelas suas ações e merecedor das consequências. Portanto, não é real para ele o tão comum “eu não tinha outra escolha“. Diria hoje a algumas nações: “Detesto as vítimas quando elas respeitam os seus carrascos“, talvez pelo desprezo destas (nações e vítimas) pela liberdade. As principais idéias deste existencialista podem ser encontradas no livro “O ser e o nada“, publicado em 1943.

Sequestrada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia em 2002 quando participava das campanhas presidenciais, Ingrid Betancourt foi mantida em cativeiro até julho de 2008. Filha de pai senador com mãe miss Colômbia, Ingrid foi criada na França e teve o privilégio de conviver socialmente com o poeta Pablo Neruda, o escritor Gabriel García Márquez e o pintor Fernando Botero. Ao ser resgatada, disse: “Melhor morrer tocando a liberdade por alguns segundos do que morrer baleado pelas FARC“. Incrível como alguém que já teve tudo o que a sociedade tanto preza termine por valorizar algo tão simples e gratuito. Será mesmo?

O citado Pablo Neruda escreveu:

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê,
quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor,
ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco,
e os pontos sobre os is em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho nos olhos,
sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da má sorte
ou da chuva que cai incessante.

Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar.

Terá a liberdade algo a ver com isso? Creio que sim. Acredito também que ela se aproxime quando as máscaras sociais são jogadas, permitindo assim sentirmos o calor do sol de um jeito único. É deixar a maquiagem de lado, fechar os olhos e perceber que a  pele respira melhor assim. Esta parte pode parecer direcionada para uma drag-queen, mas não é. Serve para todo mundo que se maqueia de um jeito ou de outro.

Poderia citar aqui as guerras fabricadas com base numa falsa liberdade, mas não vou, prefiro um exemplo positivo. William Wallace foi um lavrador escocês que tranformou-se num guerreiro para no século XIV lutar contra a dominação inglesa. Sua história foi contada no belíssimo filme Coração Valente, vencedor de 5 Oscars, no qual a interpretação de Mel Gibson nos transmite uma idéia de quanto vale ser livre, de quanto este sentimento é puro e belo. Morto pelo exército do rei Eduardo I, Wallace inspirou ainda mais seus compatriotas na luta pela independência da Escócia que foi alcançada alguns anos depois.

E para quem quer sempre mais, as palavras da escritora Clarice Lispector em seu primeiro romance, Perto do Coração Selvagem, concluem este post:

“Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome”.

(fonte:http://www.factivel.com.br/blog/ruth/)

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"Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto."Rubem Alves

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