Gayatri Mantra



O Gayatri Mantra explicado




 

O Gayatri protege quem o recita
O Gayatri mantra é, junto com o OM, o mantra mais conhecido e cantado na Índia.

Ele representa a essência do conhecimento védico e foi percebido e

depois ensinado pelo sábio Vishwamitra.

Certo dia, o rei Viswamitra estava caçando nas florestas do Himalaia e chegou nas proximidades do eremitério do sábio Vasishtha. As tropas do rei estavam cansadas e famintas.

Vasishtha saldou o rei e pediu a Kamadhenu, sua vaca que podia conceder todos os desejos, que provesse alimento para o rei e suas tropas.

Vishwamitra ficou impressionado com a vaca mágica e pensou que essa vaca poderia das conta de todas as necessidades dele, de suas tropas e de seu reino.

Se aproximando de Vasishtha ele pediu a vaca como presente mas o sábio respondeu negativamente, dizendo que somente aqueles que eram realizados na verdade de Brahman poderiam ter a vaca.

Vishwamitra ficou muito ofendido e se enfureceu, ordenando que suas

tropas tomassem a vaca a força.

Vasishtha então ordenou à vaca que produzisse milhares de guerreiros

celestiais, que deram uma lição nas tropas de Vishwamitra, as

espantando do eremitério.

Percebendo o que ocorreu, Vishwamitra realizou que toda a sua

opulência, armas e exércitos não valia de nada perto da realização

yogue de um Brahmarishi (título concedido aos mais altos sábios

realizados em Brahman, como Vasishtha). Vishwamitra resolveu ele

próprio se tornar um Brahmarishi, abandonando seu reino e adentrando as florestas do Himalaia para praticar meditação profunda em Brahman.

Por muitos anos ele praticou exercícios espirituais e meditação,

conseguindo grande poderes yogues.

Vendo o avanço de Vishwamitra, Indra, o deus celestial, se assustou e

temeu que Vishwamitra pudesse o suceder no comando dos céus. Assim, enviou uma bela ninfa para distrair a meditação de Vishwamitra.

O rei se viu vítima da paixão e se enamorou da ninfa, que engravidou

e deu a luz a uma linda menina. Quando se deu conta de que a luxúria

havia consumido todos os anos de esforço e meditação, Vishwamitra

renunciou sua esposa e filha e mais uma vez entrou em meditação

profunda.

Desta feita, Vishwamitra conseguiu poderes ainda maiores e Indra,

mais uma vez mandou uma ninfa, que tentou atrapalhar a meditação de

Vishwamitra. Tendo sucesso em sua empreitada a ninfa se aproximou do rei, que por sua vez se lembrou da experiência passada e ficou cheio de raiva contra a ninfa por ela ter quebrado sua meditação profunda.Vishwamitra, então, transformou a ninfa numa pedra.

Foi só então que Vishwamitra percebeu que a raiva e ira haviam consumido todos os anos de sua intensa prática espiritual.Mas com perseverança inquebrantável, Vishwamitra subiu mais alto no Himalaia e entrou mais uma vez em meditação profunda.

Durante esse período, um outro rei se aproximou do sábio Vasishtha e pediu a ele para realizar um grande sacrifício do fogo para que o ajudasse a atingir o paraíso com seu corpo carnal e com sua consciência atual, o que Vasishtha recusou prontamente.

Ofendido e revoltado o rei, chamado Trishunku, se aproximou de Vishwamitra.

Vishwamitra viu nesse encontro uma oportunidade de ser vingar de Vasishtha, mostrando seus poderes yogues.

Feito o sacrifício do fogo, Vishwamitra mandou o rei ao plano de Indra, com corpo e consciência terrena.

Sabendo ser impossível manter o rei no plano de Indra com o corpo e consciência terrena, Vishwamitra o trouxe de volta, mas enquanto descia das alturas celestiais o rei Trishnku chorou e orou para que Vishwamitra o salvasse.

Vishwamitra concedeu a salvação ao rei, criando um sistema estelar apenas para o rei. Ou seja, o seu poder era tão grande que ele criou umcéu/paraíso apenas para o rei.Mas ao fazer isso, Vishwamitra percebeu que todo o esforço de sua

meditação e exercícios espirituais intensos foram em vão.

Mais uma vez ele se viu decepcionado e vez o voto de não sair mais de

sua meditação profunda.

Quando Vishwamitra se deu por satisfeito com sua prática, Brahma em pessoa apareceu ante ele e disse que estava muito satisfeito com a intensidade da prática de Vishwamitra, concedendo-lhe o título de Maharishi (Grande Sábio). Entretanto, Brahma lhe avisou que para se tornar um Brahmarishi ele deveria ser abençoado pelo Sábio Vasishtha. Ao dizer isso, Brahma desapareceu.Mesmo atingido o estado de Maharishi, Vishwamitra se frustrou ao pensar que depois de tudo ainda teria que recorrer ao sábio Vasishtha para ser abençoado.

Com ciúme da posição de Vasishtha ele pensou que se o matasse ele não

precisaria das bênçãos para se tornar um brahmarishi.Espreitando a casa de Vasishtha ele pegou uma grande pedra para atirar na cabeça de Vasishtha.

Mas quando estava próximo ele escutou a esposa de Vasishtha, Arundhati, dizendo que já que Vishwamitra havia se tornado um grande homem, ele deveria abençoá-lo e assim elevá-lo ao estado de Brahmarishi. Vasishtha concordou e disse que assim que Vishwamitra o procurasse ele concederia sua benção.

Ao ouvir isso, Vishwamitra se sentiu profundamente envergonhado, lançou a pedra longe e correu para se curvar diante do grande sábio.

Assim, Vasishtha disse a Vishwamitra: "Você mostrou ao mundo que o espírito humano é invencível e não aceita derrota. Você conquistou a

luxúria, os desejos, o apego e arrogância, um por um, através de suas

intensas práticas espirituais e meditação. A última barreira era o ciúme. Agora você o conquistou também. Salve Brahmarishi Vishwamitra! "

Assim que Vasishtha tocou o ponto entre as sobrancelhas de Vishwamitra, seu chakra frontal se expandiu e ele viu os sete ritmos pelos quais o Cosmo foi criado.

Nesse exato momento, o Gayatri Mantra junto com os sete Vyahritis

(lit. ritmos, mas são os sete planos de manifestação consciencial) foi revelado a ele.

Vishwamitra tem como tradução possível "amigo (mitra) do Universo

(vishwa)".

Gayatri é um dos aspectos da deusa Saraswati, esposa de Brahma e que

representa o seu poder criativo ou shakti. Saraswati é mitologicamente representada como a protetora e inspiradora das artes, música, literatura e ciência. No entanto, esotericamente ela representa o potencial de expressão da mente humana.

A palavra Gayatri é composta de duas palavras:

Gaya= Florescer, abundar, energizar (vitalizar), energia vital.

Trâyate =o que protege; o que concede a liberação.

Vamos estudar esse mantra, que junto com o OM é o mais importante das tradições hinduístas.

Saraswati

A estrutura do mantra é de 3 linhas com 8 sílabas em cada uma, fazendo um total de 24 sílabas.Cada sílaba estimula os impulsos de criação dentro do Ser.

Assim, por mais que numa análise superficial o entendimento do mantra

fique de certa forma bem claro, é importante dizer que a tradução pura e simples do mantra abrange apenas a superfície de sua real significância.

Que fique bem claro que o mantra não se trata apenas de uma oração ou

um pedido solene.

Essa métrica de 3 linhas com 8 sílabas em cada uma, fazendo um total de 24 sílabas, é específica do Gayatri e por isso outros mantras que contém essa estrutura são chamados de gayatri também. Temos o gayatri do Ganesha, ou da Lakshmi, por exemplo.

O mantra aparece no Rig Veda da seguinte maneira:

TAT SAVITUR VARENYAM

BHARGO DEVASYA DHEEMAH

DHIYO YO NAHA PRACHODAYAT

Notem que não há a adição dos Vyahritis (Bhuh, Bhuvah, Swaha[svah]) ,

pois a métrica do Gayatri deve respeitar as 24 sílabas no total.

Mais adiante falaremos sobre os Vyahritis.

Voltemos à métrica do Gayatri:

Como já foi dito, cada sílaba gera impulsos de criação em todo o Ser.

Vamos as 24 sílabas e seu significado esotérico:

1)Tat: Sabedoria Profunda (Brahma Jñana)

2)Sa: Bom uso da energia

3)Vi: Bom uso da riqueza

4)Tu: Coragem durante períodos ruins / acidentes

5)Va:A grandiosidade do convívio amigável com as mulheres

6)Re:A grandiosidade da esposa, que concede toda a fortuna à família

7)Nyam: Adoração e respeito à Natureza

8)Bhar: Controle Mental constante e firme

9)Go: Cooperação e Paciência

10)De: Todos os sentidos sob controle

11)Va: Vida Pura

12)Sya: Unidade do homem com Deus

13)Dhee: Sucesso em todas as esferas

14)Ma: Justiça Divina e Disciplina

15)Hi: Conhecimento

16)Dhi: Vida e morte

17)Yo: Seguir o caminho da retidão

18)Yo: Manutenção da Vida

19)Nah: Cautela e Segurança

20)Pra: Conhecimento das coisas que estão por vir e Doação para o bem

21)Cho: Leitura das escrituras sagradas e Associação com os sábios

22)Da: Auto Realização e Bem Aventurança

23)Ya: Boa Progênie

24)At: Disciplinas da vida e cooperação

Assim, volto a afirmar que o mantra não é uma simples oração ou ode a

uma deidade específica, mas sim todo um conjunto de conhecimentos

profundos e sutis.

Não é a toa que o gayatri mantra é considerado a essência dos vedas.

Mas para não ser muito analítico e para dar uma utilidade mais

prática ao mantra, vou me ater a explicar o mantra em suas três

linhas com oito sílabas cada. Mas nem por isso o estudo será

superficial, como poderão comprovar.

De maneira geral, o Gayatri Mantra é cantado ou pensado da seguinte

maneira:

OM

BHUR BHUVAH SVAH

TAT SAVITUR VARENYAM

BHARGO DEVASYA DHEEMAH

DHIYO YO NAHA PRACHODAYAT

Vamos a uma tradução aproximada:

OM: de forma simplista podemos dizer que ele é o som primordial, a

fonte de toda a criação. Um dos outros nomes pelo qual é conhecido é

PRANAVA ou "substrato da vida, princípio vital".

O OM é a base de onde toda a criação tem existência. Ele é o

substrato de todo o Conhecimento, é o "pano de fundo" onde o potencial criativo se manifesta.

Não podemos aprofundar o assunto aqui, mas o OM é produto da Shakti,

ou Poder Criativo da Consciência [Brahman].

Somente a explicação desse mantra daria um livro, mas para o nosso

estudo a definição acima basta.

BHUR BHUVAH SVAH: são 3 das 7 Vyahritis (lit. "palavras, dizeres")

percebidas pelo sábio Vishwamitra. Representam 3 dos 7 planos de

manifestação da Consciência.

As vyahritis mais o OM são usadas como uma introdução ao mantra.

BHUR é tradicionalmente associada ao plano físico. Esotericamente é

a "espiritosfera" (neologia usada para descrever a amplitude

da "atmosfera espiritual" pertinente ao planeta, corpo celeste ou

parte/ambiente sideral) do planeta Terra.

BHUVAH é lit. "atmosfera". Esotericamente é a espiritosfera

imediatamente superior à nossa. Segundo a tradição seria o espaço

entre o Sol e a Terra e entre a Terra e os outros planetas. Para o

pensamento hindu, todos os planetas são habitados e ao mesmo tempo

são consciências distintas, sendo Júpiter o mais avançado

(espiritualmente) de todos (em nosso sistema solar).

Lê-se "buvarrá". Em alguns casos, onde o `h' final não é

pronunciado, é "buvá".

SVAH: é o Paraíso, o plano mais alto em nosso sistema. Esotericamente é associado ao Sol, que segundo os sábios é o "limite da onisciência" (Ishwara) de nosso sistema. É ele o portador de todos os referenciais de conhecimento que possuímos. Para um aprofundamento recomendo ler com atenção o Yoga Sutras de Patanjali. Infelizmente não poderemos aprofundar esse tema aqui, pois ele é extenso e tem correlação com a manifestação consciencial desde Brahman até o mundo físico.Lê-se "suvarrá". Em alguns casos pode ser lido como "isvárra".

As vyahrits são interpretadas de várias maneiras, dependendo do ponto de vista filosófico.

Elas também podem ser interpretadas da seguinte maneira:

Bhur: Rig Veda

Bhuva: Sama Veda

Svah: Yajur Veda

Ou ainda como sendo relacionados aos cinco pranas que fluem no corpo

humano:

Bhur: Prana (região peitoral)

Bhuva: Apana (região sacra)

Svah: Vyana (permeando o corpo todo)

Essa abordagem é bem fundamentada nas disciplinas Tântricas do Hatha-Yoga e do Kriya Yoga.

É outra abordagem que requer uma explicação mais detalhada, mas infelizmente não é possível nesse momento, visto que todo o

conhecimento de bioenergia fundamentada no Kundalini Yoga, Laya Yoga,

enfim, no Tantra teria que ser explicado.

As outras 4 Vyahrits são: Mahaha, Janah, Tapah, Satyam.

TAT: Lit. Aquele, aquela (aqui refere-se à Savitri). Lê-se "Tat" (com

t mudo).

SAVITUR: De Savitri, o esplendor do Sol, o brilho solar, os raios

solares, a força solar. Em muitos casos Savitri é associado ao deus

do Sol (Surya). Ela seria a shakti (poder) de Surya.

De forma esotérica representa o Criador, Sustentador, o todo

penetrante.

VARENYAM: Desejável, excelente, o melhor entre

BHARGO: efulgência, esplendor, luminosidade (que destrói os pecados), brilho, glória.

DEVASYA: Divino, relativo à divindade. Lê-se "devássia".

DHEEMAH: Meditar sobre; relativo à meditação. Lê-se "dimarri".

DHIYO: pensamentos elevados ou nobres, intuição profunda, iluminar

(revelar a Realidade Última). Lê-se com o i duplo, "diio".

YO: o que, o qual.

NAH: nosso, de nós, unir, junto, nó. Lê-se "narrá", com o "á" curto, como em água.

PRACHODAYAT: de prach (pedir, demandar) + codate[chodayate] (animar,

inspirar, colocar em movimento), portanto a tradução seria algo como

possa inspirar, possa animar. Lê-se "prachodaiáte" .

Uma tradução aproximada do mantra seria "Eu Saúdo aquele Ser, possuidor da efulgência divina e que é a causa e sustentação de todos os planos da existência.Que minha mente esteja sempre fixa e absorvida Nele e que Ele possa iluminar, purificar e inspirar meu intelecto."

O Mantra está todo relacionado ao aspecto iluminador e todo abrangente de Brahman.Em verdade, o mantra nos mostra a natureza essencial de toda a existência.

Gayatri é uma das formas da Shakti de Brahma, de Vishnu e Shiva.Ela representa a base, o substrato de toda a existência. Ela é a "expansão" do OM ou a energia que o movimenta.

Num estudo mais aprofundado o mantra se revela como sendo a representação do Sol Espiritual ou a Luz da Consciência.Sem essa Luz, o próprio Brahma (criador na trindade hindu) perderia seu sentido de ser. Sem essa Luz não haveria o que ser sustentado ou preservado.

Ela seria a ponte ou a ligação inquebrantável de Brahman com tudo. Seria a Presença invisível e subjacente a tudo.

O Mantra foi ensinado ao avatar Rama por Vishwamitra durante a

batalha contra o demônio Ravana, onde todas as possibilidades de

vitória de Rama diminuíram consideravelmente.Com o uso do mantra Rama teve o controle de todas as armas divinas e assim conseguiu derrotar o demônio.

Assim, o mantra tem sua aplicação no sentido de manifestação, de realizar o potencial de "vir a ser".É energia pura.

Segundo os Vedas, "O Gayatri protege quem o recita".

Ele deve ser cantado todos os dias, de preferência de Manhã, de Tarde

e de Noite.

Ele pode ser dividido em três partes para maior entendimento.

A primeira parte é de louvor, a segunda de meditação e a terceira de

prece.Primeiro saudamos a Realidade Suprema, depois fixamos a mente e

coração Nela e por último apelamos para a purificação e iluminação.







O mantra é também atribuído às deusas Gayatri, Savitri e Saraswati, onde Saraswati representa a perfeita expressão, a harmonia e unidade;

Gayatri governa os sentidos e Savitri governa as energias vitais.

Há muito mais para se falar sobre esse mantra. Daria um livro se

fossemos comentar todos os ensinamentos contidos nele. Afinal, ele é

a essência dos Vedas.





















































































































































































































































































































































































































































































































































































































































Prisioneiro ,contai-me quem foi que te prendeu?""Foi meu mestre" respondeu o prisoneiro ,"Pensei que poderia assombrar o mundo com meu poder e riqueza, e acumulei em meu cofre o dinheiro que pertencia a meu rei. Vencido pelo sono deitei-me no leito que estava preparado para meu senhor e,quando acordei,encontrei-me preso em meu próprio cofre"."Prisioneiro ,contai-me quem foi que forjou essa inquebrantável corrente?""Fui eu mesmo", disse o prisioneiro."Fui eu que forjei cuidadosamente essa corrente. Pensei que poderia prender o mundo com meu invencível poder, e que isso poderia me deixar em imperturbável liberdade. Noite dia trabalhei nessa corrente com fogos terríveis e duras e cruéis marteladas. Quando terminei o trabalho e os elos estavam completos e inquebráveis, descobri que a corrente acorrentava a mim mesmo."Por Rabindranath Tagore







Pétala

Djavan

Composição: Djavan

O seu amor

Reluz

Que nem riqueza

Asa do meu destino

Clareza do tino

Pétala

De estrela caindo

Bem devagar...



Oh! meu amor!

Viver

É todo sacrifício

Feito em seu nome

Quanto mais desejo

Um beijo, um beijo seu

Muito mais eu vejo

Gosto em viver

Viver!



Por ser exato

O amor não cabe em si

Por ser encantado

O amor revela-se

Por ser amor

Invade

E fim!!...


Wu-Wei O fazer pelo não- fazer


O Tao e o Zen não são diferentes. Eles diferem somente quanto a suas origens. A filosofia do Tao surgiu na China antiga com o grande mestre Lao-Tzu. E o Zen nasceu com a transferência da flor das mãos de Buda, para as mãos de Mahakashyapa. Mas ambos dizem respeito à mesma Verdade já revelada: Aquilo que não pode ser expresso pelas palavras... Àquela única coisa que É. E é justamente pela impossibilidade de Isto não poder ser expressado que os mestres preferem dar ênfase ao silêncio, e não dizer nada: pelas palavras você não pode alcançar. Palavras só ajudam até um certo ponto. Assim, o Ser muitas vezes é retratado por palavras que indicam passividade e até mesmo conotações negativas. Por exemplo: muitos mestres dão ênfase ao Ser através da palavra "Não-Manifesto". A expressão Não-Manifesto tenta, através de uma negativa, expressar aquilo que não pode ser falado, pensado ou imaginado. Ela aponta para o que É quando diz o que não é. Logo, dizer Não-manifesto significa se referir ao Ser. Esses jogos de palavras, positivos e negativos, tentam fazer com que você não se prenda a nenhuma destas expressões e nem comece a acreditar nelas, pois elas não passam de indicadores, de setas apontando para o alvo. Assim, não se agarre às expressões positivas, nem às negativas... o caminho é o do meio. O caminho é aquele que não pode ser constatado, aquele que não se pode ver. E o Taoísmo diz: "Não faça!". Ele gosta muito da expressão "não-fazer". A não-ação constitui a força criadora de toda atividade, de toda a existência. Não há como explicar a Existência fundamentando-a em princípios e teorias -- a começar pela já-existência deles. A Existência só pode ser "explicada" (compreendida) a partir da Não-Existência. E quando alguém aprende a perceber/contemplar ambos, aí é possível adentrar o caminho do meio: o ponto que está exatamente no centro, entre o existir e o não-existir. Então a existência e a não-existência tornam-se UM só. E assim se sucede com o Fazer. O verdadeiro fazer só pode ser compreendido a partir do não-fazer. Este "não-fazer" corresponde ao "sentar sem nada fazer" do Zen.No Taoísmo se diz "wu-wei".Conseguir se entregar ao momento presente - de forma total - é o que é preciso para começar a vivenciar o "fazer pelo não-fazer". O homem não precisa se preocupar com problema algum que possa vir a surgir eventualmente. Todo problema é coisa da mente. Entregue-se no momento do fazer. Ao fazer arroz, você não tem que fazer um arroz delicioso, você não tem que agradar quem irá comer, você não tem que acabar rápido para fazer a salada. A única coisa que você tem é não ter de se preocupar com nada... é “não ter que” nada.A mente acha que ela precisa "fazer um arroz delicioso" e agradar alguém. Olhe quanta energia a mente dessa pessoa está desperdiçando! Ela poderia, simplesmente, ir lá e fazer o arroz. E, no momento certo, em cada instante do tempo presente, todas as questões que fossem surgindo (inclusive a intenção de deixar o arroz delicioso) seriam naturalmente cumpridas... sem esforços... sem preocupações... sem nada! Tudo que é preciso é apenas tomar a decisão de fazer o arroz... ir lá, e fazê-lo.O ser humano está na ilusão de que ele é separado de tudo o que ele pode ver, sentir, tocar, ouvir, cheirar, etc. A ilusão ocorre porque o homem não acredita no AGORA; não consegue perceber o momento presente, em sua plenitude e, por isso, vive preso em sua mente. A mente não acredita no fácil; é bom que tudo seja difícil para ela; ela gosta de muitas complicações. Ela não gosta de ficar sem fazer esforço, porque senão ela começaria a sumir. Ela é muito egoísta. Ela cria muitas dificuldades e sofrimentos para você e para ela mesma -- mas pelo menos assim ela pode continuar existindo.Uma vez que alguém alcance este "fazer, não fazendo", essa pessoa se encontra. Ela se sente realizada com seja lá qual for a atividade que ela esteja desempenhando. "Fazer arroz" é apenas um exemplo. Conseguir manter esse estado em qualquer atividade que você esteja fazendo, vai lhe trazer uma grande realização. Você conseguirá se divertir com qualquer situação que você esteja vivenciando -- você pode estar satisfeito no início, durante, ou no final dela. É muito melhor, pois a satisfação não é encontrada apenas no final da atividade, quando o objetivo dela é alcançado. Alcançar objetivos é coisa da mente. E, para ela alcançá-los, muito sofrimento será criado para você.

História Zen:

Uma cidade havia entrado em guerra e tinha sido devastada pelos inimigos. Toda população havia fugido, pois o comandante do exército inimigo estava se dirigindo para lá. Somente um mestre zen não fugiu, permanecendo na cidade. Quando o exército inimigo chegou, viu que não havia ninguém, exceto aquele pobre senhor que estava sentado no meio da cidade, observando tudo o que havia acontecido. O comandante se aproximou do velho e lhe disse: "Ei velho, você o que você ainda está fazendo aqui? Por que não abandonou a cidade?"... e o velho nada respondeu, apenas sorriu ao comandante. Este, vendo que o velho não se incomodava com nada, lhe disse: "Você é muito corajoso por estar aqui. Você tem idéia de quem sou eu?... Eu sou aquele que pode lhe tirar a vida a qualquer momento!". E o velho lhe respondeu: "E você tem idéia de quem eu sou? Eu sou aquele que pode ter a vida tirada por você, a qualquer momento."

DESAPEGO DE TUDO. É nisso que consiste essa pequena historinha. Se você não estiver apegado, você pode enfrentar qualquer situação sem preocupação alguma. Diante de uma pessoa assim, até um comandante inimigo é um derrotado. A idéia do apego existe, porque a mente faz você achar que você é alguém, com idéias, conceitos, pensamentos, conhecimentos através dos sentidos. Mas até mesmo os sentidos não podem captar quem você realmente é, e eles o enganam. Você tem a idéia de que você é alguém porque sua mente acredita em muitas coisas. Mas a verdade é que você não é NADA. Você é NADA; o arroz delicioso é NADA. É por isso que, quando você está totalmente focado no momento presente, você pode ser o arroz, e o arroz pode ser você. Da próxima vez que for fazer o arroz, ou qualquer outra coisa, experimente fazê-lo com o mesmo espírito desapegado daquele mestre zen. Esteja receptivo a esse estado de espírito e diga ao arroz: "Você sabe quem sou eu? Eu sou aquele que está fazendo o arroz" E você sabe quem é o arroz? Ele é aquele está sendo feito por você. Ambos vocês estarão se completando um ao outro. Vocês estarão se complementando; e estarão em tal harmonia que não haverá mais você e o arroz: apenas a atividade de você estar fazendo o arroz; e do arroz estar sendo feito por você... tudo será uma coisa só. Não se iluda: é somente a mente que faz você perceber que você é uma pessoa (um cozinheiro, um cientista, um professor, um médico, um guerreiro, um pobre velho etc.). Aquele mestre zen, não se percebia como um homem velho que havia ficado numa cidade destruída -- Ele não era aquilo. A sua mente pode dizer que ele é um velhinho que ficou para trás; mas ele não é isso. Naquele momento, aquele homem era alguém que poderia ter a vida tirada pelo comandante a qualquer momento; só isso,e nada mais. Depois que o comandante fosse embora, ele não seria mais "alguém que poderia ter a vida tirada a qualquer momento"... ele seria outra coisa condizente com o momento presente dele. É importante compreender esse ponto.Portanto, não tente definir nada. Sua mente pode dizer muitas coisas, mas a Verdade sobre você está sempre dentro do seu AGORA. Dentro do seu AGORA você é completo com o que quer que seja que você esteja fazendo; seja lavando o arroz, seja estando à beira da morte. Alcance a mesma profundidade da percepção daquele mestre zen sobre quem você é, e você poderá experimentar o verdadeiro estado de desapego. Ele lhe conduzirá diretamente ao wu-wei: o fazer pelo não-fazer. Isso é algo que só pode ser vivenciado AGORA. Preste atenção nos momentos presentes pelos quais você passa, instante a instante. E você se encontrará. Mais do que isso: você saberá quem você é. Sua vida será muito mais leve... muito mais satisfatória... muito mais bonita. A vida é bela! Todo instante é belo. Você pode se sentir realizado a cada instante que passa... e viver toda a sua vida dessa forma.Apenas lembrem-se de uma coisa: Este não-fazer a que o Tao se refere é muito genuíno. Ele é um verdadeiro Não-Fazer. Assim, você nada pode fazer com relação a ele. E se você tentar praticá-lo, se você tentar praticar o não-fazer, você estará FAZENDO. Eis aí o que deixa tudo bagunçado para aquele que está tentando alcançar a Verdade. Mas essa bagunça, este paradoxo, só pode ser superado se você puder colocar toda a sua totalidade e espontaneidade no seu viver.Espontaneidade significa deixar-se ser e agir de maneira natural. É permitir que tudo ocorra por si só, de modo que você não interfira em nada. Ao invés disso, você aprende a confiar nAquele que criou essa existência e deixa tudo aos cuidados dEle. Nessa entrega, você relaxa e a espontaneidade surge. Através da espontaneidade e de sua constante atenção nas coisas do dia-a-dia, você aprenderá o segredo de Não-Fazer coisa alguma autenticamente. E tudo o mais virá por acréscimo. Por meio do genuíno não-fazer, tudo é feito.







AGORA

"Eu não quero pensar no que virá: quero pensar no que é agora. No que está sendo. Pensar no que ainda não veio é fugir, buscar apoio em coisas externas a mim, de cuja consistência não posso duvidar porque não a conheço. Pensar no que está sendo, ou antes, não. Pensar é ainda fuga: aprender subjetivamente a realidade de maneira a não assustar. Entrar nela significa viver."


-Caio Fernando Abreu-



Lindo Lago do Amor



Gonzaguinha


Composição: Gonzaguinha


E bem que viu o bem-te-vi


A sabiá sabia já


A lua só olhou pro sol


A chuva abençoou


O vento diz "ele é feliz"


A águia quis saber


Por quê, por que, por qual será


O sapo entregou


Ele tomou um banho d'água fresca


No lindo lago do amor


Maravilhosamente clara água


No lindo lago do amor













Krishna Das - Govinda Hare



Govinda Hare


Govinda hare, Gopala hare

He Prabhu deena dayaala hare






Tradução


Na índia, Deus é venerado de toda forma imaginável. "Prabhu" é um jeito muito doce e íntimo de dizer "Senhor". "Deena Dayaal" é o aspecto daquele que tem misericórdia e compaixão por aqueles que se voltam para Ele sem astúcia ou motivo escondido.


Nesta canção nós cantamos para o grande amigo, para o sentimento de amor que temos por nosso amigo. Aquele que não deseja nada de nós a não ser que sejamos felizes e que sejamos nós mesmos, que sejamos que nós somos.


Govinda e Gopala são dois nomes pelos quais também é conhecido o Senhor Krishna.




























LUZ E SOMBRA


“Aquele que aprisiono com meu nome fica gemendo nesta prisão.



Vivo ocupado em construir este muro à minha volta;



e, dia a dia, à medida que o muro sobe até o céu,



vou perdendo de vista meu verdadeiro ser na escuridão de tua sombra.



Orgulho-me deste alto muro e o revisto com terra e areia,



para que não se veja nenhuma rachadura neste nome.



E, com os cuidados todos que tomo,



vou perdendo de vista meu verdadeiro ser.”



Rabindranath Tagore

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