A DOENÇA COMO CAMINHO


 De uma maneira geral, a saúde é encarada como se fosse um estado de não doença, de não mal estar ou dor, quando o indivíduo pode continuar a levar a sua vida sem grandes alterações ou questionamentos. É muito mais fácil tomar um medicamento para aliviar uma dor de cabeça, do que compreender a mensagem que o organismo está sinalizando. Somos muito imediatistas, tratamos apenas das aparências, não buscamos a origem ou as causas de nossa doença. O corpo humano possui uma inteligência fisiológica cuja função básica é manter a homeostase do organismo diante de todos os estímulos do mundo exterior e interior. O equilíbrio é conseguido através da livre circulação de energia no organismo, assim como através das trocas contínuas entre o corpo e o meio ambiente. Esse fluxo contínuo de energia nos mantém vivos. Quando a circulação de energia não ocorre de uma maneira adequada surgem as doenças. Nosso corpo vai sinalizando, com muita antecedência, o desequilíbrio através de pequenas alterações funcionais sem substrato físico; isto é, não há nada a nível orgânico que justifique aqueles sinais ou sintomas. Com a não valorização desses sinais e a manutenção do mesmo padrão de vida, as alterações físico-químicas vão-se cronificando, se solidificando até atingirem o seguimento físico; a doença passa a se expressar em algum tecido, órgão ou víscera, acompanhada de padrões mentais e emocionais bem determinados. Saúde e doença são aspectos de um mesmo movimento. Através do desequilíbrio atingimos novo equilíbrio, uma nova freqüência, um novo patamar energético. No período de transição para esse novo padrão, vivencia-se a doença. Ela não é considerada como algo estranho, mas sim, a conseqüência de um conjunto de fatores que culminam em desarmonia e desequilíbrio. É através da doença que alcançamos saúde. Verifica-se, com uma certa freqüência, em pacientes com doenças graves ou terminais, relatos acerca de estarem vivendo melhor ou mais saudavelmente, a partir do momento em que se conscientizaram de sua doença. Para vivermos em harmonia, precisamos ter flexibilidade e disposição para um grande número de opções de interação com o meio ambiente. Sem flexibilidade não há equilíbrio. Períodos de saúde precária são estágios naturais na interação contínua entre o indivíduo e o meio onde ele está inserido. Estar em desequilíbrio significa passar por fases temporárias de doença, nas quais se pode aprender a crescer. A doença é uma oportunidade para a introspecção, de modo que o problema original e as razoes para a escolha de uma certa via de fuga possam ser levadas a um nível consciente onde o problema possa ser resolvido. A função básica do terapeuta está em espelhar a verdade para o paciente, ajudá-lo a desenvolver uma consciência do processo de vida e dos mecanismos (obstáculos e ilusões) que se criam para gerar a doença e, também, poder ajudá-lo a entrar em sintonia com seus próprios recursos de cura, possibilitando o resgate da auto estima, da aceitação e do perdão. Como diz a música de Milton Nascimento e Fernando Brandt, “O que importa é ouvir a voz que vem do coração”, curar-se é abrir o canal da comunicação, é fazer-se entrar em contato com a própria essência, é despertar a capacidade de ser, estar, criar e descriar, sonhar e realizar. Essa autodescoberta é o caminho da auto-cura, que nada mais é do que resgatar o amor próprio. O organismo doente está envolvido no aparecimento, no desenvolvimento e na cura de sua doença. O ser humano pode se instalar na doença, pode obter com ela benefícios, mas pode principalmente pela doença, exprimir tendências profundas. O corpo relata, fala, descarrega e protesta através do seu próprio adoecimento. É sempre, uma forma de o organismo expressar conflitos profundos. Como os distúrbios digestivos, por exemplo, que são muitas vezes, expressão de conflitos entre o reter e o expelir, entre o desejo e a necessidade. A doença, portanto, não é algo que vem de fora ou já está lá antecipada, é, sim, um modo peculiar de a pessoa se comunicar em circunstâncias adversas. É, pois, em suas várias formas, um modo de ser no mundo, um modo de se relacionar com as pessoas em volta. Isso nos leva a ter que encarar o limite do conhecimento técnico na compreensão dos mecanismos de formação das doenças; e, em função desses princípios colocarmo-nos a refletir sobre a importância de se mudar o foco da ação terapêutica, em vez de nos centrar na doença deslocarmos o foco para a interação com alguém que está doente, de quem, na verdade, podem advir os recursos realmente curadores de uma doença. Cada região do corpo além de prestar-se a uma determinada função do organismo pode sinalizar uma zona específica de conflito entre a mente e o corpo. Esses conflitos que geraram emoções estão relacionados a acontecimentos da nossa vida no passado, que não foram bem trabalhados e em razão disso, permanecem mal resolvidos e criando obstáculos para a vida atual. Quando refletimos sobre os conflitos e qual a nossa responsabilidade neles, pode ocorrer a liberação e distribuição de energia que facilita nossa consciência, expressão emocional e a organização de um novo modo de nos colocarmos diante da vida. Poderíamos, entre outras coisas, dizer que a doença é passagem, é comunicação, é transformação e, acima de tudo, poderíamos dizer que ela tem um sentido muito pessoal para cada um, a cada momento de indagação. A doença seria, então, uma entrada em outra realidade. Como um sonho, ela pode ter inúmeras leituras para cada pessoa. A meditação e a oração são práticas que podem nos ajudar nesse processo. Como também podem ser úteis os trabalhos energéticos, as visualizações, os relaxamentos, e, em certos casos, as massagens. Tais práticas e técnicas abrem o caminho para uma outra relação com a doença. Uma relação em que não nos apegamos a ela e nem a rejeitamos. Apenas permitimos a sua presença e ouvimos o que ela tem a dizer, já que pode nos ensinar a ter uma nova relação com tudo o que nos cerca e com a vida. Acima de tudo é possível compreender que nem sempre conseguiremos explicar o que nos acontece. Há muitas coisas misteriosas na vida e o decifrar delas permanecerá além do nosso alcance a despeito de qualquer esforço de nossa parte, entretanto, se formos humildes e confiantes, a nossa essência sempre nos mostrará o que é possível, e com referência ao que permanecer, além disso, nos guiará e ajudará a acolher e reverenciar o desígnio divino: Ser Feliz, a sublime missão! CAUSAS EMOCIONAIS DAS DOENÇAS A nossa saúde é um reflexo das nossas crenças e pensamentos. Quando descobrimos o padrão mental que está por detrás de cada doença, temos a oportunidade de modificá-lo e de nos curar. Nosso corpo está sempre falando conosco. Ele é o nosso professor, que nos avisa quando insistimos num comportamento que nos faz mal. Veja na tabela seguir, os problemas de saúde mais comuns e suas prováveis causas emocionais: PROBLEMA CAUSA EMOCIONAL Acidentes Crença na violência ou na necessidade de receber castigo; deixar que as outras pessoas nos atinjam (acidentes de carro) Anorexia/ Bulimia Raiva de si mesmo; negação da vida; “não ser bom o suficiente” Alergias Agressividade reprimida Amigdalite Criatividade reprimida, incapacidade de expressar a raiva Ansiedade Medo da vida, do futuro Apendicite Medo da vida; de enfrentar os problemas de frente Arteriosclerose Resistência. Recusa em ver a realidade Artrite Criticismo; perfeccionismo; inflexibilidade Asma Incapacidade de se doar; desejo de manipular Câncer Ressentimento; desilusão Coceira Ânsia por alguma coisa, irritação; desejo de sair da própria pele Cólica menstrual Rejeição da condição de mulher; medo; culpa Coluna (problemas na) Incapacidade de se apoiar; falta de confiança na vida Conjuntivite Raiva do que se vê Coração(problema no) Incapacidade de demonstrar amor; falta de alegria Dentes (problemas nos) Indecisão; incapacidade de demonstrar agressividade Depressão Raiva da vida Diabete Amargura Diarréia Medo; fuga Dores agudas Desejo de se castigar Enxaqueca Desejo de controlar; incapacidade de expressar a raiva; repressão sexual Frieiras Medo de não ser aceito; resistência ao progresso Furúnculo Raiva Gastrite Dificuldade para lidar com aborrecimentos Gengivite Insatisfação com relação às próprias decisões Gripe Absorção de negatividade; conflito Joelho (problemas no) Orgulho Labirintite Medo de não estar no controle; sensação de desorientação na vida Mononucleose Hábito de depreciar a vida e os outros Obesidade Necessidade de se proteger ou de se tornar maior para conseguir enfrentar um grande desafio Prisão de ventre Recusa a abandonar velhas idéias; repressão da energia sexual Reumatismo Vitima; amargura Sinusite Irritação Varizes Permanecer num lugar ou situação que se odeia Verruga Expressão de ódio acumulado Vícios Fuga Texto inspirado no livro A Doença como Caminho, Editora Cultrix. E Reiki Essencial, Editora Pensamento. Todo problema de frustração que for enfrentado com realismo e tratado de um modo organizado aumenta a força da personalidade. Todo fracasso com o qual se aprendeu uma lição, proporciona tanto uma experiência como um recurso que ampliam nossa capacidade de enfrentar novos problemas. Dr. John Donnelly.

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"Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto."Rubem Alves

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